PRIVATIZAÇÃO À MODA PETISTA
A dois meses do pedágio, Régis continua esburacada
A dois meses da cobrança de pedágio, a rodovia Régis Bittencourt [BR 116], ligação com a região Sul do país, ainda mantém buracos espalhados em diversos trechos entre São Paulo e Paraná, fendas de 15 cm em viadutos ou pontes e sinalização precária.
A condição da estrada federal após quatro meses sob comando da iniciativa privada teve uma melhoria muito discreta, passando de "péssima" para "ruim", de acordo com a classificação majoritária entre dezenas de usuários entrevistados.
E, mesmo depois da instalação dos postos de cobrança, a previsão contratual indica que os motoristas precisarão de muita paciência para conseguir fazer uma viagem confortável.
Embora os reparos básicos (como a conclusão do tapa-buracos e a reposição de placas) sejam prometidos para até meados de agosto (sob pena de ser impedida de cobrar pedágio), a concessionária OHL diz que, assim como a rodovia Fernão Dias (ligação São Paulo-Minas Gerais), a Régis só precisa obrigatoriamente ter pavimentação equivalente às boas rodovias de SP em cinco anos.
O fluxo de veículos apenas no trecho da estrada de chegada a São Paulo chega a 30 mil/dia.
A Folha repetiu nos últimos dias uma vistoria já feita em dezembro de 2007 e janeiro de 2008 na mesma Régis, da capital paulista à divisa do Paraná. As regiões mais complicadas são variadas, com destaque para as proximidades de Barra do Turvo (375 km de SP) e de Miracatu (180 km de SP). Alguns trechos esburacados foram recuperados, outros remendados -muitos, porém, sem sucesso.
"Não é recape, parece mais uma folha de papel. No dia seguinte os buracos voltam de novo", diz Adilson Bertoldo, 51, borracheiro da beira da rodovia e que segue satisfeito com as oportunidades de trabalho.
Por Alencar Izidoro, na Folha de S. Paulo, 16.06.2008
Escrito por Reinival Paiva às 09h25
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